Novo álbum do Greta Van Fleet sai em 19 de outubro

Anhtem of the peaceful army, o novo disco do Greta Van Fleet, será lançado em 19 de outubro deste ano. O álbum já está disponível para pré-venda no site da banda, no formatos CD e vinil. A notícia foi divulgada no perfil do Greta Van Fleet no Facebook, mas já havia rumores desse lançamento antes mesmo da publicação oficial, visto que mês passado a banda lançou “When the curtain falls”, sua nova single.

Este será o primeiro full-lenght da banda, ao contrário do que muitos podem pensar, pois From the fires é, na verdade, uma compilação das faixas dos dois primeiros EPs do Greta Van Fleet, em que estão “Highway tune” e “Safari song”, canções que os fizeram ser comparados ao Led Zeppelin em razão de sua sonoridade setentista e principalmente pela forma como canta Josh Kiszka, o vocalista, que guarda muitas similaridades com Robert Plant. No site da banda, uma novidade: além de “When the curtain falls”, é possível ouvir 30 segundos de “Watching over”, faixa nova que fará parte do novo disco.

Greta Van Fleet

Capa de Anthem of the peaceful army, disponível no perfil da banda

O álbum será composto das seguintes faixas, conforme consta no site da banda:

  1. Age of Man
  2. The Cold Wind
  3. When The Curtain Falls
  4. Watching Over
  5. Lover Leaver (Taker Believer)
  6. You’re The One
  7. The New Day
  8. Mountain of the Sun
  9. Brave New World
  10. Anthem
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“Simulation theory”, novo disco do Muse, será lançado em 9 de novembro

O novo disco do Muse já tem data para ser lançado: Simulation theory vem a público em 9 de novembro e já está em pré-venda tanto na loja oficial da banda quanto na Amazon.

Segundo informações disponíveis na página do Muse no Facebook e em seu site oficial, o álbum terá três versões para compra: a versão simples, com 11 faixas; a versão deluxe, com as 11 faixas + 5 extras; e a versão superdeluxe, com 21 faixas no total.

Imagem retirada do perfil do Muse no Facebook

Uma das faixas do disco, “The dark side”, teve clipe lançado hoje, 30 de agosto, no YouTube. Está disponível no canal do Muse.

Simulation theory será o oitavo disco de estúdio do Muse, cujo último disco foi Drones, lançado em 2015.

Lançamento do livro “Discobiografia Mutante”, dia 31 de agosto

O sebo Baratos da Ribeiro, referência na zona sul do Rio de Janeiro, recebe na próxima sexta-feira, dia 31 de agosto, o lançamento do livro Discobiografia Mutante: álbuns que revolucionaram a música brasileira, a nova e rica obra de Chris Fuscaldo, “escritora, cantautora, jornalista e blogueira”, segundo consta em sua webpage. Fuscaldo é também autora de Discobiografia Legionária, obra publicada pela editora Leya que tem como material de base os discos do Legião Urbana.

Discobiografia mutante

Disponível em: https://www.catarse.me/

Discobiografia Mutante é resultado de pesquisa iniciada em 2002 por Chris Fuscaldo a respeito de bastidores, importância e histórias até então pouco ou nada contadas da carreira dos Mutantes, banda de rock importantíssima para a contracultura no Brasil, que teve como principais integrantes Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias e cujo primeiro disco completa 50 anos em 2018. O livro é fruto de financiamento coletivo por meio da plataforma Catarse, uma das maiores em termos de crowdfounding. Isso demonstra o poder que esses recursos podem ter no que diz respeito ao financiamento cultural e independente de obras musicais, literárias e artísticas de variados gêneros.

A autora não só lançará o livro, como também estará disponível para bate-papo e autógrafos. O evento começa às 19 horas, mas é recomendável que se chegue antes, pois é sempre válido dar uma garimpada nos CDs, LPs e livros à venda nos caixotes e prateleiras da Baratos, dos quais muitos estão a preço de saldo.

O sebo Baratos da Ribeiro, no qual costuma haver eventos culturais toda semana, como conversas temáticas e o Clube do Vinil (capitaneado pelo DJ e gerente Maurício Gouveia), fica na Rua Paulino Fernandes, 15 – Botafogo.

Noise Festival, em 14 de setembro, recebe bandas de rock autorais

O Buffalos Bar, localizado no Méier, vai receber o Noise Festival, dia 14 de setembro. O evento será organizado pela Stark Produções. O bar, referência dos headbangers no subúrbio do Rio e no qual costumam ocorrer shows de excelentes bandas cover, como a Doomship (cover de Black Sabbath, mas com um trabalho autoral maravilhoso – Songs about mayhem and other fun stuff, de 2018), dessa vez recebe grandes nomes da cena underground e autoral do rock carioca: Circus Rock, The Ocean Revives, Amsterdan, Troá e Monophonia.

O Buffalos Bar está situado na Rua Arquias Cordeiro, 316, Méier. O evento começa às
21 horas, e o valor da entrada é R$ 15,00. Para maiores informações, acesse a página do Buffalos ou da Stark Produções no Facebook. Em tempos nos quais receber novas bandas muitas vezes requer muita burocracia, e na iminência de algumas casas fecharem suas portas a esses eventos, é sempre uma boa pedida apoiar as novas gerações do rock no Brasil, visto que elas têm buscado sempre alternativas com vistas a realizar bons eventos para o público.

Para repensar o grunge

Em 1991, neste mesmo dia 27 de agosto, o Pearl Jam deu à luz o seu “petardebut”, Ten, que de certa forma definiu as bases daquele subgênero gestado na tão famosa Seattle e que sobrevive ainda nos dias de hoje: o grunge. Que fique claro que tal termo foi cunhado pela mídia a partir da expressão grungy, que significa “sujo”. Mais do que uma referência ao som feito por Soundgarden, Alice in chains, Temple of the dog e Stone temple pilots, o termo fazia referência também ao modo de se vestir e viver dos músicos que compunham tais bandas, cujas principais características passaram a ser os cabelos desgrenhados, as blusas xadrez flaneladas e as jeans rasgadas.

Ten

Disponível em: https://www.discogs.com/

O aniversário de Ten e o lançamento, neste ano, de Stone temple pilots, do grupo de mesmo nome, e de Rainier fog, do Alice in chains, são bons pontos de partida para se repensar este subgênero, o grunge, que foi tão importante para a juventude dos anos 1990. Você deve ter reparado que até agora o Nirvana (talvez o maior nome da estética em questão) não foi mencionado. Pois é; é proposital. É provável que fãs xiitas me ofendam, mas a meu ver o trio composto por Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic é o menos grunge de todos os grupos que compõem a cena. Algumas questões técnicas ajudam a compreender esse rompimento; na verdade, tais questões enquadrariam facilmente o Nirvana em outro movimento: o punk londrino da virada dos anos 1970 para 1980. Não é para menos; duas das influências mais importantes de Cobain são o Clash e o Pistols, e isso pode ser comprovado no documentário Montage of heck, que trata da vida de Kurt, desde sua infância, passando por sua adolescência conturbada, até sua curta juventude. E como bom fã de punk, Cobain se valeu da estética simples e pouco trabalhada que teve o objetivo de contestar a harmonia complexa e rica do hard rock e do rock progressivo, que começaram a entrar em declínio no fim dos anos 70. Talvez por isso eu ache que o Nirvana pouco ou nada tem a ver com o grunge, a não ser a indumentária.

Bleach, de 1989, traz em si um som absurdamente sujo, agressivo e gritado, que veio a influenciar muitas bandas de hardcore e do próprio punk que surgiram depois desse período, o que evidencia, mais uma vez, o ciclo punk-Nirvana-punk. Somente em Nevermind, o divisor de águas na carreira da banda, lançado no mesmo ano que Ten, é que o Nirvana começou a desenvolver um som mais “agradável”, com algumas arestas aparadas e como uma tentativa de aliar solos de guitarra melódicos às simplistas sequências de acordes das canções que compõem o disco, reafirmativas das influências londrinas.

Ora, desde seu primeiro disco e até o último o Alice in chains sempre contou com a genialidade harmônica e melódica de Jerry Cantrell. Inclusive, o unplugged do grupo é um dos mais bem-quistos pelos fãs, para alguns é o melhor de todos os MTV Unpluggeds. Em todos os discos da banda é possível notar músicas bem trabalhadas, bem pensadas e com uma sonoridade ao mesmo tempo pesada e limpa. Situação semelhante ocorria com o Soundgarden, que tinha em Chris Cornell o modelo de frontman ideal, visto que cantava e tocava muito bem. Em termos gerais, as bandas ditas grunge, à exceção do Nirvana, sempre tiveram preocupação de fazer um som bem feito, compreensível, que aliasse as indagações líricas e inquietações à sonoridade encorpada que transitava entre o hard rock, o heavy metal e o stoner metal.

O Nirvana foi um fenômeno, e isso é inquestionável, a despeito das críticas à (duvidosa) qualidade da banda. A grande questão é que o grunge é um subgênero que está para além do que o Nirvana representou para a cultura pop (ou poderíamos dizer que o Nirvana esteve e está além do rótulo grunge). O Nirvana foi um fenômeno popular à semelhança do que representa a atual banda seu ex-baterista, o Foo Fighters, no que tange a mover multidões. Não deveriam ter feito a besteira de criar rótulos.

Heck

Disponível em: https://www.amazon.co.uk/

Para aqueles que quiserem compreender com maior profundidade essa ideia que proponho, sugiro que assistam ao documentário que mencionei, Montage of heck. Há entrevistas riquíssimas que ajudam a entender com maior clareza a conturbada vida de Kurt Cobain, com comentários de pessoas que o acompanharam em boa parte de sua vida, com o Krist Novoselic e Courtney Love.

Em tempo, convido-os a ouvirem novamente (ou pela primeira vez, caso não o tenham ouvido) o aniversariante do dia; Ten agrupa grandes sucessos da carreira do Pearl Jam. É um dos mais incríveis álbuns de estreia, de uma das bandas mais relevantes para o rock mundial.

Shows de Uli Jon Roth no Brasil têm data marcada

Segundo o jornalista José Norberto Flesch, em uma postagem no Twitter, o guitarrista alemão Uli Jon Roth fará três shows no Brasil em setembro, em três capitais diferentes: dia 27/9 no Teatro Rival (Rio de Janeiro), dia 28/9 no Carioca Club (São Paulo) e dia 29/9 no Joker’s Pub (Curitiba). As informações podem ser confirmadas no site oficial do músico, que está em turnê desde março.

Uli Jon Roth

Disponível em: http://www.ulijonroth.com

Uli Jon Roth foi guitarrista do Scorpions, no período de 1974 a 1978, quando assumiu o posto de Michael Schenker, que saiu do grupo para integrar o UFO. Roth gravou quatro discos de estúdio com o Scorpions: Fly to the rainbow (1974), In trance (1975), Virgin killer (1976) e Taken by force (1977). Encerrou seus trabalhos no grupo com o ao vivo Tokyo tapes, lançado em 1978 e um dos mais icônicos da banda. Após sua saída, Matthias Jabs foi quem assumiu as guitarras solo do Scorpions, posto em que se mantém até hoje.

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Disponível em: http://www.clubedoingresso.com

Os ingressos para a turnê no Brasil estão disponíveis no site www.clubedoingresso.com. A turnê é comemorativa dos 50 anos de Roth, e a promessa é de que serão duas horas de show que abrangerá clássicos de sua passagem pelo Scorpions e de sua carreira solo. Aos guitarristas de plantão, eis uma ótima dica.

 

Um gênio à semimargem da Tropicália

É impossível pensar no anos 60 sem que nos lembremos da efervescência política e cultural que marcou o Brasil nesse período. Com a ditadura militar, uma das formas de combater ideais retrógrados e limitantes era o investimento (não necessariamente financeiro) em cultura, isto é, cinema, música, teatro, entre outros.

A Tropicália foi resultado concreto da abertura popular e cultural ao que se produzia no estrangeiro, processo iniciado com o Modernismo quarenta anos antes. Tropicalia ou panis et circenses foi a síntese do que os artistas desse movimento produziram na época. O disco, lançado em 1968, reúne traços da música popular e regional, da música erudita e do rock britânico emergente; vale lembrar que, um ano antes, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band era concebido, o que tornou ainda mais conhecidos os Garotos de Liverpool, como eram chamados os Beatles, revolucionou a forma de pensar o rock a partir de então e serviu de influência direta não só para a Tropicália, mas para as bandas de rock que surgiam naquele momento.

Tropicalia

Disponível em: https://www.discogs.com/

Ao olhar a capa de Tropicalia, é fácil reconhecer alguns rostos: logo em primeiro plano está Gilberto Gil; atrás, segurando um porta-retratos, Caetano; mais atrás, Rita Lee e os Mutantes. É possível que as pessoas nunca tenham se perguntado quem é o homem à esquerda, sentado de pernas cruzadas e segurando uma xícara que parece não caber em suas mãos. O mais interessante é que, a despeito de quase sempre passar batido, a referida figura foi fundamental para a música brasileira, especialmente na década de 1960. Trata-se de Rogério Duprat, arranjador, compositor e violoncelista formado em Música pela Villa-Lobos.

A música brasileira deve muito a Duprat, tanto quanto deve aos outros artistas do movimento tropicalista. Em termos técnicos, ele talvez tenha sido o sucessor de Villa-
-Lobos no que diz respeito a atar o erudito ao popular, criando uma sonoridade até então pouco ou nada experimentada pelos artistas brasileiros, que ainda tentavam se desvencilhar da bossa nova surgida anos antes. Duprat foi fundamental para Tropicalia, pois foi ele quem elaborou os arranjos e orquestrações de todas as faixas. “Coração materno” soa maravilhosamente bela mais por seus arranjos pensados para cordas do que pela voz insossa de Caetano Veloso, intérprete da canção.

Mas o trabalho de Rogério Duprat não fica restrito ao disco em questão. Ainda em 1968, em parceria com os Mutantes e outros artistas, veio ao mundo A banda tropicalista do Duprat, mais uma obra prolífica e vanguardista, com orquestrações, arranjos de metais, pitadas de rock inglês, baião, chorinho, frevo, bossa nova e MPB. O disco é de uma riqueza musical de impressionar, mas possivelmente o país ainda devia estar tão balançado com os artistas da Tropicália que o deixaram de lado. Vale lembrar que, no
III Festival de Música da TV Record, de 1967, Rogério Duprat foi vencedor na categoria melhor arranjo, para a canção “Domingo no parque”, interpretada por Gilberto Gil à época.

Duprat

Disponível em: https://www.discogs.com/

Em 1971, Duprat participou como arranjador no disco Jardim elétrico, dos Mutantes, bem como teve participação em outras obras posteriores. Seu legado está, conforme diz o Manifesto Música Nova, de 1963, no “compromisso total com o mundo contemporâneo”. Reafirmo: a música brasileira deve demais a muitos gênios que ficaram nos bastidores, e nosso trabalho será sempre de fazê-los conhecidos por seu rico trabalho artístico.