Angra fará show na Fundição Progresso em 23 de novembro

O Angra voltará aos palcos do Rio de Janeiro, dessa vez na Fundição Progresso. Depois de ter passado pelo Circo Voador no fim de maio para a divulgação de Omni, disco lançado em fevereiro de 2018, a banda fará pelo menos cinco shows no Brasil ainda este ano, segundo publicações em suas redes sociais.

Angra RJ

Disponível no perfil do Angra no Facebook

show ocorrerá dia 23 de novembro na Fundição Progresso, mas ainda não há informações de venda e horário no site EV7, organizadora do evento também em Juiz de Fora e Belo Horizonte. Além do Angra, tocarão Massacration e Tuatha de Danann, o que é garantia de uma noite com muito heavy metal.

Para maiores informações, acesse as páginas do Angra no Facebook e no Instagram, ou ainda acesse www.ev7live.com.br/angra.

 

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Para repensar o grunge

Em 1991, neste mesmo dia 27 de agosto, o Pearl Jam deu à luz o seu “petardebut”, Ten, que de certa forma definiu as bases daquele subgênero gestado na tão famosa Seattle e que sobrevive ainda nos dias de hoje: o grunge. Que fique claro que tal termo foi cunhado pela mídia a partir da expressão grungy, que significa “sujo”. Mais do que uma referência ao som feito por Soundgarden, Alice in chains, Temple of the dog e Stone temple pilots, o termo fazia referência também ao modo de se vestir e viver dos músicos que compunham tais bandas, cujas principais características passaram a ser os cabelos desgrenhados, as blusas xadrez flaneladas e as jeans rasgadas.

Ten

Disponível em: https://www.discogs.com/

O aniversário de Ten e o lançamento, neste ano, de Stone temple pilots, do grupo de mesmo nome, e de Rainier fog, do Alice in chains, são bons pontos de partida para se repensar este subgênero, o grunge, que foi tão importante para a juventude dos anos 1990. Você deve ter reparado que até agora o Nirvana (talvez o maior nome da estética em questão) não foi mencionado. Pois é; é proposital. É provável que fãs xiitas me ofendam, mas a meu ver o trio composto por Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic é o menos grunge de todos os grupos que compõem a cena. Algumas questões técnicas ajudam a compreender esse rompimento; na verdade, tais questões enquadrariam facilmente o Nirvana em outro movimento: o punk londrino da virada dos anos 1970 para 1980. Não é para menos; duas das influências mais importantes de Cobain são o Clash e o Pistols, e isso pode ser comprovado no documentário Montage of heck, que trata da vida de Kurt, desde sua infância, passando por sua adolescência conturbada, até sua curta juventude. E como bom fã de punk, Cobain se valeu da estética simples e pouco trabalhada que teve o objetivo de contestar a harmonia complexa e rica do hard rock e do rock progressivo, que começaram a entrar em declínio no fim dos anos 70. Talvez por isso eu ache que o Nirvana pouco ou nada tem a ver com o grunge, a não ser a indumentária.

Bleach, de 1989, traz em si um som absurdamente sujo, agressivo e gritado, que veio a influenciar muitas bandas de hardcore e do próprio punk que surgiram depois desse período, o que evidencia, mais uma vez, o ciclo punk-Nirvana-punk. Somente em Nevermind, o divisor de águas na carreira da banda, lançado no mesmo ano que Ten, é que o Nirvana começou a desenvolver um som mais “agradável”, com algumas arestas aparadas e como uma tentativa de aliar solos de guitarra melódicos às simplistas sequências de acordes das canções que compõem o disco, reafirmativas das influências londrinas.

Ora, desde seu primeiro disco e até o último o Alice in chains sempre contou com a genialidade harmônica e melódica de Jerry Cantrell. Inclusive, o unplugged do grupo é um dos mais bem-quistos pelos fãs, para alguns é o melhor de todos os MTV Unpluggeds. Em todos os discos da banda é possível notar músicas bem trabalhadas, bem pensadas e com uma sonoridade ao mesmo tempo pesada e limpa. Situação semelhante ocorria com o Soundgarden, que tinha em Chris Cornell o modelo de frontman ideal, visto que cantava e tocava muito bem. Em termos gerais, as bandas ditas grunge, à exceção do Nirvana, sempre tiveram preocupação de fazer um som bem feito, compreensível, que aliasse as indagações líricas e inquietações à sonoridade encorpada que transitava entre o hard rock, o heavy metal e o stoner metal.

O Nirvana foi um fenômeno, e isso é inquestionável, a despeito das críticas à (duvidosa) qualidade da banda. A grande questão é que o grunge é um subgênero que está para além do que o Nirvana representou para a cultura pop (ou poderíamos dizer que o Nirvana esteve e está além do rótulo grunge). O Nirvana foi um fenômeno popular à semelhança do que representa a atual banda seu ex-baterista, o Foo Fighters, no que tange a mover multidões. Não deveriam ter feito a besteira de criar rótulos.

Heck

Disponível em: https://www.amazon.co.uk/

Para aqueles que quiserem compreender com maior profundidade essa ideia que proponho, sugiro que assistam ao documentário que mencionei, Montage of heck. Há entrevistas riquíssimas que ajudam a entender com maior clareza a conturbada vida de Kurt Cobain, com comentários de pessoas que o acompanharam em boa parte de sua vida, com o Krist Novoselic e Courtney Love.

Em tempo, convido-os a ouvirem novamente (ou pela primeira vez, caso não o tenham ouvido) o aniversariante do dia; Ten agrupa grandes sucessos da carreira do Pearl Jam. É um dos mais incríveis álbuns de estreia, de uma das bandas mais relevantes para o rock mundial.